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Palavra do Bispo | Homilia - 02/04/2026

Homilia - 02/04/2026

Missa dos Santos Óleos – 02 de abril de 2026

Is 61, 1-3a.6a.8b-9; Sl 88(89), 21-22.25.27; Ap 1, 5-8; Lc 4, 16-21

 

Consagrados em Cristo, testemunhas da Redenção!

(cf. Oração da coleta)

 

Queridos Padres, diáconos, seminaristas, religiosas e religiosos, irmãos e irmãs!

 

A Missa dos Santos Óleos, ou Missa do Crisma, é um momento favorável de unidade e comunhão da Igreja. É a ‘missa da unidade’, em que se reúnem o bispo, os padres, o clero e o povo, em torno da mesma fé e missão. Nesta oportunidade, os fiéis rezam por seus sacerdotes, agradecem pela sua dedicação e serviço e manifestam carinho e apoio à missão que de Cristo eles receberam.

Nesta missa, os sacerdotes diante do bispo diocesano, renovam as promessas sacerdotais, expressando o ardente desejo de, unidos, no dom da fraternidade presbiteral, viverem a alegria de servir o povo de Deus, no exercício da caridade pastoral, como bons pastores da porção do rebanho de Cristo confiada a cada sacerdote.

Nesta Eucaristia são abençoados os santos óleos dos catecúmenos e dos enfermos, e é consagrado o santo crisma. Abençoamos o óleo dos catecúmenos, usado no Batismo dos novos filhos de Deus e membros da Igreja. Imploramos, da mesma forma, a benção de Deus sobre o óleo dos Enfermos, sinal da consolação e da misericórdia divina para os que sofrem, para que tenham também a graça de associarem suas dores às do Cristo Redentor. E consagramos o Santo Crisma, óleo com o qual, pelo sacramento da crisma, os cristãos são ungidos e confirmados em sua maturidade e, na ordenação, os padres têm ungidas as suas mãos e o bispo a sua cabeça. É o santo óleo usado também na consagração dos altares e dedicação das igrejas.

A oração da coleta proclama com clareza a beleza e a riqueza desta liturgia: 1°) Deus ungiu seu Filho único, Jesus Cristo, com o Espírito Santo, e o constituiu “Cristo e Senhor”; 2°) Todos os cristãos, batizados, participam desta unção e consagração pelo batismo e pela crisma; 3°) Participantes desta unção, os cristãos se tornam, no mundo, “testemunhas da redenção que Cristo nos trouxe”. Sim, somos consagrados em Cristo e testemunhas da redenção.

A Palavra de Deus proclamada auxilia a compreensão da riqueza e profundidade destes ritos que celebramos.

As palavras de Isaías, na primeira leitura (Is 61), se repetem no evangelho (Lc 4), pela boca de Jesus: “o Espírito do Senhor Deus está sobre mim, porque o Senhor me ungiu; enviou-me para dar a boa-nova aos humildes, curar as feridas da alma, libertar os cativos e os presos, restituir a vista aos cegos, proclamar o ano da graça do Senhor, consolar os que choram” (Is 61 e Lc 4). Isaías conclui: Vós sois os sacerdotes do Senhor, chamados ministros do nosso Deus (Is 61, 8b). Lucas conclui com a afirmação de Jesus: Hoje se cumpriu esta passagem da Escritura que acabastes de ouvir (Lc 4, 21).

O salmo responsorial (Sl 88/89) descreve como o Senhor escolhe e consagra a Davi: escolhi a Davi e o ungi, para ser rei, com meu óleo consagrado (v. 21). O reinado de Davi prefigura o reinado de Jesus Cristo, ungido como Rei do Universo, em quem se cumpre a palavra do salmo: minha verdade e meu amor estarão sempre com ele (v. 25). 

O homem Jesus é a encarnação da verdade e do amor de Deus Pai. Ele é o Cristo: profeta, sacerdote e rei. Ele é mestre e pastor, “a testemunha fiel, o primeiro a ressuscitar dentre os mortos, o soberano dos reis da terra. Ele nos ama, por seu sangue nos libertou dos nossos pecados e fez de nós um reino, sacerdotes para seu Deus e Pai (Ap 1, 5.6), cf. a segunda leitura (Ap 1, 5-8).

Do sacerdócio de Cristo decorrem o sacerdócio comum dos fieis e o sacerdócio ministerial dos diáconos, padres e bispos. Ser povo sacerdotal significa que cada fiel, batizado e crismado, vivendo em meio às vicissitudes do mundo, já vivencia as realidades do alto, onde está Jesus Cristo ressuscitado, à direita do Pai. Por outro lado, a missão dos sacerdotes (ministros ordenados) é a de ligar as realidades imanentes às transcendentes, as terrestres às celestes, as passageiras às eternas, o que é perecível ao que é incorruptível, conforme categorias da teologia paulina. 

Os sacerdotes agem na pessoa de Cristo (in persona Christi), impondo suas mãos ungidas para consagrar as espécies do pão e do vinho, “fruto da terra, da videira e do trabalho humano”. Eles abençoam o povo de Deus, levam conforto aos pecadores e sofredores e tornam-se exemplos de vida, pela oração e intensa espiritualidade. São profetas que proclamam a palavra de Deus e são pastores a guiar o rebanho de Cristo, a Igreja, cuidando de modo especial dos pobres, os preferidos de Deus.

Queridos padres! Servindo-me, mais uma vez, das palavras de Paulo, exorto-vos a reavivar o dom de Deus, que recebestes pela imposição das minhas mãos (cf. 2Tm 1, 6) e, deste modo, renovardes as promessas sacerdotais que assumistes no dia da ordenação, tornando-vos “totalmente consagrados a Cristo, na prática do sagrado ministério, ao serviço dos irmãos” (Papa Bento XVI, Praça São Pedro, 20.04.2011). 

Queridos irmãos e irmãs! Cada ano, a Igreja nos oferece esta sublime oportunidade de louvar a Deus pela vida e pela missão dos presbíteros. Na Igreja católica, os padres são uma preciosa benção de Deus. Nossa Igreja diocesana de Mogi das Cruzes assim o reconhece e rende a Deus ação de graças pelo quanto Ele tem sido pródigo, suscitando numerosas e generosas vocações. 

Sim, o Senhor tem nos abençoado: somos um presbitério numeroso, com os padres que aqui trabalham e os que estão fora, em missão Ad Gentes. No ano passado tivemos a graça de sete ordenações sacerdotais; este ano já tivemos uma, em janeiro, e teremos, se Deus quiser, mais três em junho. 

Nosso clero conta com setenta diáconos permanentes. Passamos, neste ano com a tristeza do falecimento de dois deles: o diácono José Roberto de Oliveira, em janeiro, e, há três dias, o diácono Pedro Siqueira. Deus os acolha e os recompense. Tivemos também, há dois dias, o falecimento da Irmã Vilma Preis, membro da Associação de Fraternidade das Servidoras da Palavra de Deus.

Esta Eucaristia marca as últimas horas da Quaresma e ressoa o prenúncio do Tríduo Pascal que se inicia hoje à noite, na Missa do Lavapés, que comemora a instituição da Eucaristia e do Sacerdócio. O Tríduo, por sua vez anuncia e inicia o Tempo Pascal do Cristo vitorioso e ressuscitado, Ele que, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim (Jo 13, 1). Inseridos no dom total do amor de Cristo, reafirmamos com esperança nossa fidelidade a Cristo e à missão de servir ao povo de Deus.

É tempo de deixar-se envolver pelo amor de Cristo que cada um de nós sentiu naquele primeiro chamado, lá na infância, adolescência ou juventude, na paróquia, no grupo de jovens, nos encontros vocacionais. Veio a etapa do seminário, a ordenação, o tempo foi passando, surgiram as preocupações com o trabalho, doenças ... alegrias e sofrimentos. 

Certamente advieram “situações que por vezes trazem o desgaste e, por isso mesmo, tornando-se necessária a renovação” dos compromissos, enquanto presbitério, pois “o presbitério é o lugar em que de se viver a comunhão sacerdotal, da entreajuda e da partilha, da missão pastoral, da fraternidade e da amizade”, colocando-nos “diante daquela fonte de onde jorra o manancial da vida e da graça que inunda o nosso ser e dá razão à nossa vocação e missão de presbíteros para que, interpelados e exortados por Cristo, vivamos com autenticidade o nosso sacerdócio na identificação plena com Ele” (cf. mensagem do vigário geral, Monsenhor Antonio Robson Gonçalves).

Nossa Senhora, Mãe dos Sacerdotes, São José, seu castíssimo esposo, e Sant’Ana nossa padroeira, intercedam por nós! 

Amém!

 

Dom Pedro Luiz Stringhini

Bispo diocesano

Mogi das Cruzes, 02 de abril de 2026.