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Palavra do Bispo | Homilia - 17/01/2026

Homilia - 17/01/2026

Ordenação sacerdotal do Diácono Alex Paulo da Silva – 17.01.2026

 

Sem mim nada podeis fazer! (Jo 15, 5)

 

Jr 1,4-9; Sl 109/110; Ef 4, 1-7. 11-13;  Jo 15, 1-5

 

 

Irmãos e irmãs!

 

Saúdo aos fieis de nossa Diocese de Mogi das Cruzes e os demais presentes, também de outras dioceses que, em comunhão com toda a Igreja, vivem este momento solene da ordenação sacerdotal do Diácono Alex Paulo da Silva.

 

Saúdo, na pessoa do pároco, Pe. Ruy Galdino, aos demais presbíteros. A presença dos senhores representa esta comunhão presbiteral, visto que, pelo segundo grau do sacramento da Ordem, o Diácono Alex Paulo será inserido na “Ordem dos Presbíteros”, particularmente, no presbitério da Diocese de Mogi das Cruzes. Configurado a Cristo no Batismo e tendo respondido ao Senhor que o chamou, o presbítero eleito, hoje, será configurado ao Cristo cabeça e pastor, em favor da Igreja.

 

Saúdo também aos diáconos, seminaristas, religiosas/os e, de modo especial, os familiares do Diácono Alex Paulo, recordando especialmente seus pais, já falecidos, José Marcelino da Silva e Elizabete Alves Cardoso Silva.

 

Desde os Padres da Igreja, isto é, desde os primeiros séculos do cristianismo, tem-se a consciência de que a celebração presidida pelo Bispo visibiliza toda a Igreja, em sua unidade, comunhão e fraternidade. Celebrar esta ordenação sacerdotal, nesta Igreja Paroquial de Nossa Senhora de Fátima (Poá-SP), faz com que nós, aqui reunidos, membros do Corpo de Cristo, sintamos que somos “pedras vivas” na construção da Igreja de Jesus Cristo (cf. 1Pd 2, 5).

 

Este momento celebra a beleza da comunhão na Igreja. Neste sentido, recordo palavras do Papa Leão XIV, em sua Carta Apostólica Uma fidelidade que gera futuro (8/12/25). Ele disse que “num tempo de grandes fragilidades, todos os ministros ordenados são chamados a viver a comunhão, voltando ao essencial e aproximando-se das pessoas, para guardar a esperança que ganha forma no serviço humilde e concreto” (n. 18).

 

Repito as exortações do Papa: voltar ao essencial, aproximar-se das pessoas, guardar a esperança, servir na humildade! Veja só, caro Diácono Alex Paulo, que belo programa para a vida e para o ministério! E veja também que esta exortação traz uma grande ligação com o lema que você escolheu para sua ordenação: “Sem mim nada podeis fazer” (Jo 15, 5), um versículo extraído do capítulo 15 do Evangelho segundo S. João, que há pouco nos foi proclamado, a “parábola da videira”, na qual Jesus se apresenta como a videira, o Pai o agricultor, e nós, os ramos (v. 1-2).

 

Ouvindo Jesus dizer: sem mim nada podeis fazer, percebemos que “voltar ao essencial” não é outra coisa que voltar a Cristo, permanecendo n’Ele como Ele permanece em nós (cf. v. 4) e permanecendo no Seu amor (cf. v. 9), o que equivale à expressão do Apocalipse: “voltar ao primeiro amor” (Ap 2); e na Carta aos Hebreus: “ter os olhos fixos em Jesus” (Hb 12, 2).  

 

Diácono Alex, seu lema trouxe-me ao coração diversos ensinamentos do Papa Bento XVI. Ele afirmou que o encontro pessoal com Cristo é o centro da existência e que “a fé não é, primariamente, uma ideia a compreender nem uma moral a abraçar, mas uma Pessoa a encontrar: Jesus Cristo. O coração d’Ele bate forte por nós e seu olhar se compadece à vista dos nossos sofrimentos”.

 

Ele ensinou também que “quem deixa Cristo entrar, não perde nada, absolutamente nada daquilo que faz a vida livre, bela e grande. Só nesta amizade é que se abrem as portas da vida. Só nesta amizade abrem-se realmente as grandes potencialidades da condição humana” (Homilia de Inauguração do Pontificado, em 24 de abril de 2005).

 

[Papa Bento XVI disse ainda mais: “não se começa a ser cristão por uma decisão ética ou uma grande ideia, mas pelo encontro com um acontecimento, com uma Pessoa, que dá um novo horizonte à vida e, com isso, uma orientação decisiva” (Deus caritas est, n. 1).]

 

Irmãos e irmãs! Tenho certeza que o Diácono Alex Paulo escolheu este lema, antes de tudo, a partir de sua experiência pessoal, como que num resumo de tudo o que, em sua intimidade com Cristo, tantas vezes viu com os olhos da fé; esta fé que, na expressão do Apóstolo Paulo, Alex tantas vezes professou com a boca e acreditou com o coração (cf. Rm 10, ). E com os ouvidos do coração, certamente também tantas vezes escutou ressoar a voz do próprio Jesus a lhe dizer: Alex! Fica comigo, pois sem mim, tu nada podes fazer (cf. Jo 15, 5).

 

E Jesus continua, na parábola da videira: Eu vos digo isto para que a minha alegria esteja em vós e vossa alegria seja plena; ... pois eu vos designei para irdes e produzirdes fruto e para que o vosso fruto permaneça (Jo 15, 9b.11.16). Em resumo: permanecer no amor, produzir fruto e participar da alegria de Jesus! Isto é, a verdadeira alegria, a alegria do céu, que já experimentam aqui na terra os que buscam a Deus de coração sincero, tornando-se membros da Igreja, apresentada com imagens tão bonitas: “ramos” da videira (S. João), “membros do corpo” (São Paulo), ou “pedras vivas” da grande construção da qual Cristo é a pedra angular (São Pedro).

 

É assim que a unidade, a comunhão e a fraternidade na Igreja de Cristo são dons do Espírito Santo de Deus, que se tornam ministérios, isto é, serviço aos irmãos, especialmente aos pobres, recordando, mais uma vez, as indicações do Papa Leão: voltar ao essencial, aproximar-se das pessoas, guardar a esperança, servir na humildade!

 

Sou testemunha do esforço do Diácono Alex Paulo de vivenciar a profunda união com Cristo: pela oração, pela sua perseverança em responder ao chamado ao sacerdócio, mesmo tendo que enfrentar tantas dificuldades, e pelo seu profundo desejo de servir ao povo de Deus. E como Alex tem realizado com dedicação este serviço nas mais diversas comunidades, capelas e paróquias por onde passou e serviu. Cito apenas alguns exemplos: ainda, em São Paulo, com Padre Reginaldo, na Comunidade Nossa Senhora Aparecida, da Paróquia Santa Quitéria; os meses em que, como seminarista, realizou missão na Diocese de Brejo-MA; seu cuidado para com a Comunidade São Francisco e, agora, há vinte dias, na Área Pastoral Imaculada Conceição, ambas em Itaquaquecetuba. Sempre na alegria da intimidade com Cristo e sob a orientação da Palavra de Deus, como ouvimos há pouco nas leituras.

 

Na 1ª leitura (Jr 1, 4-9), pela boca de Jeremias, Deus pede do Profeta compromisso, decisão e missão: “a todos a quem eu te enviar, irás, e tudo que eu te mandar dizer, dirás”. O profeta profere também palavras de encorajamento e de conforto: Não tenhas medo, pois estou contigo para defender-te”, e “Eis que ponho minhas palavras em tua boca”.

 

A segunda leitura, da carta de Paulo aos Efésios (Ef 4), também remete, como no evangelho da videira, à graça de Deus: cada um de nós recebeu a graça na medida que Cristo a deu (Ef 4, 7). É a sintonia da ação da Santíssima Trindade: a graça de Deus, o chamado de Cristo e os dons do Espírito Santo. De fato, como ouvimos nesta 2ª leitura: Cristo a alguns concedeu serem apóstolos; a outros, profetas; a outros, evangelistas; a outros, pastores e mestres e os capacitou para o ministério, para edificação do corpo de Cristo (Ef 4, 11-12).

 

É assim que Alex Paulo, a partir de hoje, pela sagrada unção que o insere na “Ordem dos Presbíteros” passa a exercer o sacerdócio ministerial em favor da Igreja e de toda a humanidade, unido a Cristo: “sem mim nada podeis fazer”, e, conforme disse São Paulo: “pela graça de Deus sou aquilo que sou” (cf. 1Cor 15, 10).  

 

Sim, a graça de Deus se manifestou trazendo salvação para toda a humanidade (Tt 2, 11). E esta salvação, Jesus Cristo a realizou por meio de sua Páscoa, isto é, Sua morte e Sua ressurreição. A Eucaristia, com todo seu mistério, sua beleza e sua eficácia, é o memorial que atualiza a ceia pascal e o sacrifício de Cristo. A Igreja vive da Eucaristia e tem nela a fonte, o centro e o cume. É o alimento dos cristãos e, especialmente do presbítero, que não só dela vai haurir as forças e graças necessárias para prosseguir e perseverar, mas sobretudo, in persona Christi, diariamente, a presidirá para que ao povo de Deus não falte o alimento salutar que mantém vivo o vínculo da caridade e da comunhão. Na “Última Ceia”, Jesus instituiu a Eucaristia (Isto é o meu corpo) e o Sacerdócio ministerial (fazei isto em memória de mim). Deste modo, o exercício do Sacerdócio Ministerial, especialmente através da Santa Missa, se torna fonte de comunhão para toda a Igreja. A Eucaristia é a síntese dos ofícios do sacerdote: a pregação da Palavra de Deus, a celebração dos sacramentos e o serviço da caridade.

 

Por fim, caro presbítero eleito Alex Paulo, recomendo o seu sacerdócio à proteção da Bem-aventurada Virgem Maria, “Mãe da Igreja” e “Rainha dos Apóstolos”. As palavras de aceitação e confiança que ela proferiu: “faça-se em mim segundo a vossa palavra” (Lc 1, 38), se unem às de Cristo: “sem mim nada podeis fazer”. E deste modo, fortalecido no amor de Cristo e na ternura de Maria, Alex se torna sacerdote eternamente segundo a ordem de Melquisedec (Sl 109/110). E toda a Igreja proclama: o Todo-poderoso fez em mim grandes coisas; Santo é Seu nome (cf. Lc 1, 49).

 

Amém!

 

Dom Pedro Luiz Stringhini

Mogi das Cruzes, 17 de janeiro de 2026