
Ordenação Diaconal – 10.01.2026
Anderson Aparecido Almeida Prado, Erivan Laurindo de Moraes, Luiz Carlos Teixeira e Welber de Sena Monteiro
Nm 3, 5-9; Sl 95 (96); 2Cor 4, 1-2.5.7; Mt 20, 25b-28
Irmãos e irmãs!
Com a graça de Deus, estamos iniciando o Ano do Senhor de 2026, na semana da Epifania do Senhor, encerrando o tempo santo do Natal. Nosso coração está repleto de gratidão a Deus pelo “Ano Santo da Esperança” que vivemos em 2025, celebrando o Jubileu do Nascimento de Jesus Cristo Nosso Salvador.
E o Senhor nos dá a graça de celebrar uma ordenação diaconal como expressão da vitalidade de nossa Igreja diocesana. Por isso, aqui estamos, nesta Santa Eucaristia, para ordenar mais quatro diáconos permanentes no seio de nossa Diocese de Mogi das Cruzes. São eles: Anderson Aparecido Almeida Prado, Erivan Laurindo de Moraes, Luiz Carlos Teixeira e Welber de Sena Monteiro.
A Diocese de Mogi das Cruzes tem a graça de contar com 70 diáconos permanentes, contando com estes que logo mais terei alegria de ordenar, inserindo-os no clero de nossa Diocese. Com a graça de Deus, tem-se despertado um pujante número de vocações ao diaconato permanente. Faço uma especial menção de gratidão à nossa Escola Diaconal São Lourenço e à Faculdade Paulo VI que, propriamente, formam os nossos diáconos. Agradeço também suas famílias e suas paróquias. A todos, muito obrigado! Deus lhes pague!
A ordenação diaconal de hoje nos recorda o especial vínculo entre os Bispos e os Diáconos. Os bispos são sucessores dos Apóstolos e os diáconos seus colaboradores, suscitados no seio da Igreja já na primeira geração cristã, conforme a bela página do capítulo sexto dos Atos dos Apóstolos (At 6), que relata a instituição dos primeiros sete diáconos. Este capítulo narra que as viúvas gregas estavam sendo desassistidas na Igreja nascente e, para que os Apóstolos pudessem dedicar-se mais à oração e à pregação da Palavra, os mesmos Apóstolos escolheram “sete homens de boa reputação, cheios do Espírito e de sabedoria (At 6, 3) para o serviço às mesas, entre eles o mártir Santo Estêvão. Os Apóstolos impuseram as mãos e invocaram o Espírito Santo sobre os sete eleitos, gesto que logo mais repetiremos.
Posteriormente, o diaconado foi associado ao sacramento da Ordem, que se consolidou em três graus: os diáconos, os padres e os bispos; e que teve uma significativa evolução no Oriente e no Ocidente cristãos. Por ocasião do Concilio Vaticano II, concluído há exatamente 60 anos (1965), os Padres conciliares pediram a restauração do diaconato permanente, o que, de fato, aconteceu pouco depois, por um decreto do Papa São Paulo VI. O próprio Papa Paulo VI, indo à Colômbia, em 1968, para abrir a II Conferência do CELAM – conhecida como Conferência de Medellín – ordenou alguns diáconos permanentes da América do Sul, dentre eles um brasileiro. De lá para cá, em todo o mundo, vê-se o despertar de vocações ao diaconado permanente e os frutos deste ministério, a partir das comunidades eclesiais onde estão inseridos.
Por causa do especial vínculo entre os sete primeiros diáconos e os Apóstolos e, posteriormente, entre os diáconos e os bispos, é que, quando os bispos presidem celebrações solenes, contam sempre com a presença dos diáconos para lhes assistirem proximamente. Não se trata apenas de uma prescrição litúrgica, mas de algo teologicamente essencial na relação entre os Bispos diocesanos e os seus diáconos.
Os ministros ordenados são, antes de tudo, investidos para serem anunciadores do Evangelho de Cristo. Por isso, no rito da ordenação diaconal, se dá a entrega do livro dos Evangelhos, mediante a fórmula: recebe o Evangelho de Cristo do qual foste constituído mensageiro. Pregar o evangelho, servir ao altar, praticar a caridade.
A 1ª leitura (Nm 3, 5-9) mostra Moisés e Abraão escolhendo colaboradores de menor grau para garantir a celebração do culto do Povo eleito a caminho da terra prometida, como hoje, na Igreja, os diáconos são servidores da liturgia, do culto e do altar.
O evangelho (Mt 20, 25b-28) ensina que há um estreito vínculo entre o serviço e a salvação oferecida por Jesus Cristo. O serviço, isto é, a diaconia, é o desdobramento da fonte que é o Cristo Servidor, cujo serviço se estendeu até a cruz: “o Filho do Homem não veio para ser servido, mas para servir e dar sua vida como resgate em favor de muitos”.
Queridos diáconos eleitos! Eu os exorto a que sejam criativos, entusiastas, zelosos e fervorosos no exercício do ministério que a Igreja lhes confia pelo primeiro grau do Sacramento da Ordem. Com efeito, na oração da coleta, pedimos que Deus lhes conceda “solicitude na ação, mansidão no ministério e constância na oração”. E na prece da ordenação suplicaremos ao “Espírito Santo que os fortaleça com os sete dons” para que, em cada um dos senhores, “resplandeçam as virtudes evangélicas: o amor sincero, a autoridade discreta, a simplicidade de coração e uma vida segundo o Espírito”. Pensem nisto quando forem chamados a presidir celebrações da Palavra e o sacramento do batismo e do matrimônio. Sobretudo, levar conforto às famílias enlutadas nas exéquias e nas visitas aos doentes.
Queridos irmãos e irmãs! Rezemos para que nossos irmãos possam “exercer com fidelidade o seu ministério”, em favor do povo de Deus, para que toda a comunidade cristã conheça o Cristo, o Servo de Deus, e para o mundo creia que Ele é o nosso Salvador.
Nossos diáconos eleitos escolheram lemas sugestivos que também nos edificam nesta celebração. Três desses lemas dizem respeito o múnus do serviço, isto é, o agir por amor. Vejamos! Anderson faz referência às boas obras de caridade com o lema: “... brilhe vossa luz diante dos homens, para que vendo as vossas boas obras, eles glorifiquem o vosso Pai que está nos céus” (Mt 5, 16); Erivan recorda as obras de misericórdia de Mt 25: “o que fizerdes a um destes pequeninos é a mim que o fazeis” (v. 40); Welber se refere à partilha do pão com os famintos: “Dai-lhes vós mesmos de comer” (Lc 9, 13).
A caridade é a virtude que brota do coração do próprio Deus, pois Deus é amor (1Jo 4, 4.16). E quem ama nasceu de Deus, conhece a Deus e permanece em Deus (cf. 1Jo 4, 7-16). A caridade do diácono é sinal da caridade praticada por toda a Igreja, em especial para com os mais frágeis de nossa sociedade, os pobres.
Luiz Carlos escolheu, do Livro do Profeta Isaías, um lema ligado à dimensão missionária do anúncio: “Para onde me mandares ir, eu irei” (Is 6, 8). A missão vem da Santíssima Trindade: o Pai envia seu Filho para a salvação da humanidade; o Filho, antes de voltar ao Pai, promete e envia o Espírito Santo; e o Espírito conduz a Igreja, enviada ao mundo para prolongar a missão de Cristo até os confins da terra (cf. At 1, 8). Na Igreja, e a partir dela, somos todos missionários, isto é, enviados a testemunhar, por palavras e obras, a salvação em Jesus Cristo, conforme palavras do mesmo Isaías: “Como são formosos, sobre os montes, os pés do mensageiro que anuncia a paz” (Is 52, 7).
Caros diáconos eleitos, que estes lemas os inspirem no exercício do diaconato para o qual o Senhor os chamou. E, diante do chamado do Senhor é preciso perseverança, como nos exorta São Paulo, na 2ª leitura de (2Cor 4, 1-2.5.7): “Não desanimemos no exercício deste ministério que recebemos da misericórdia divina” (v. 1). Não desanimar significa perseverar. E para perseverar é preciso rezar. A oração traz perseverança e nos fortalece em meio às fragilidades. Temos consciência de que somos pequenos, fracos e limitados, mas chamados e enviados para uma nobre e sublime missão. Esta realidade, aparentemente paradoxal, é muito bem descrita por São Paulo quando diz que “trazemos esse tesouro em vasos de barro para que todos reconheçam que este poder extraordinário vem de Deus e não de nós” (v. 7). São esses os tesouros que carregamos: o Reino de Deus e sua justiça, a Palavra da Verdade, a Graça de Deus. A Igreja de Cristo, vaso de barro, é deles fiel guardiã.
Por fim, irmãos e irmãs, confiemos nossos diáconos eleitos à proteção de Nossa Senhora, a verdadeira e fiel Serva do Senhor. A imagem de Sant’Ana, a padroeira de nossa Diocese de Mogi das Cruzes, é muito sugestiva: Sant’Ana está ensinando a Virgem Maria. De Sant’Ana, Nossa Senhora aprendeu e acolheu a Palavra de Deus, e proclamou do mais profundo do seu coração que o Todo-Poderoso fez grandes coisas por mim e o seu nome é Santo (Lc 1, 49).
Caros diáconos eleitos! Que Nossa Senhora, pela sua poderosa intercessão, os inspire em todas as tarefas que Jesus Cristo e a Santa Igreja lhes confiar!
Amém!
Dom Pedro Luiz Stringhini
Bispo diocesano
Mogi das Cruzes, 10 de janeiro de 2026.