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"O Espírito fala às Igrejas"

Carta Pastoral sobre o Sínodo Diocesano

Queridos irmãos e irmãs,
- presbíteros, diáconos, consagrados
e consagradas, cristãos leigos e leigas,
- A graça e a paz do Senhor.

     É insistente e volta sete vezes nas sete cartas às Igrejas do Apocalipse o convite para ouvir o Espírito, feito por aquele que é "o primeiro e o último, aquele que vive, que esteve morto e agora vive, que está vivo pelos séculos dos séculos, que tem as chaves da morte e do Abismo": "Quem tem ouvidos, escute o que diz o Espírito às lgrejas"( Apocalipse 1, 17-19; 2, 7. 11. 17. 29; 3, 6. 13. 22). O papa João Paulo II, exprimindo um dos objetivos do Jubileu dos 2000 anos da vinda do Filho de Deus, diz: "quer-se suscitar uma particular sensibilidade por tudo quanto o Espírito diz à Igreja e às Igrejas (v. Apocalipse 2,7 ss), como também aos indivíduos através dos carismas ao serviço da comunidade inteira. Deseja-se, assim, sublinhar aquilo que o Espírito sugere às várias comunidades' (TMA 23 § 1). Portanto, o Espírito fala à Igreja, a toda a Igreja, a cada Igreja. Pedindo o dom dessa "particular sensibilidade", de que fala o Papa, a Igreja que está em Mogi das Cruzes, procura discernir o que o Espírito lhe diz, neste determinado momento de sua vida.

     Os acontecimentos, a História carregam mensagens, recados, verdadeiros gritos e apelos de Deus. O tempo transmite sinais que devem ser percebidos, entendidos, interpretados, decifrados. Jesus recomenda saber distinguir os sinais dos tempos: "Pela manhã dizeis: hoje chove; o céu está vermelho escuro. Sabeis distinguir o aspecto do céu e não distinguis os sinais dos tempos" (Mateus 16, 3). O texto tem a força de exortação a saber perceber as ocasiões propícias, oportunas que a História carrega. O Concílio Vaticano II apontou decididamente para esses sinais: sinais dos tempos, sinais de Deus. Todos os cristãos católicos são exortados a reconhecer os sinais dos tempos (Unitatis Redintegratio 4 § 1). Presbíteros e cristãos leigos se dão as mãos para reconhecer os sinais dos tempos (Presbyterorum Ordinis 9 § 2). "Para cumprir a sua missão, a Igreja, a todo momento, tem o dever de perscrutar os sinais dos tempos e interpretá-los à luz do Evangelho."(Gaudium et Spes 4 § 1) Um outro texto significativo afirma: "O povo de Deus, movido pela fé, procura discernir os verdadeiros sinais da presença e do projeto de Deus nos acontecimentos, nas exigências e nas aspirações do mundo. De fato, a fé esclarece todas as coisas com luz nova, manifesta o plano divino sobre a vocação integral do homem e, por isso mesmo, orienta a mente para soluções plenamente humanas." (Gaudium et Spes 11 § 1) Um exemplo de sinal dos desígnios providenciais de Deus é "o interesse em fomentar e reformar a Sagrada Liturgia" (Sacrosanctum Concilium 43 § 1). Antecipando os tempos, com visão profética, o Concílio destacava o sentimento de solidariedade como um sinal especial: "Digno de menção especial, entre os sinais do nosso tempo, é o sempre crescente e ineluctável sentimento de solidariedade de todos os povos. É tarefa do apostolado dos leigos promovê-lo com carinho e transformá-lo em sincero e verdadeiro afeto de fraternidade." (Apostolicam Actuositatem 14 § 3) A Igreja tem consciência da presença e da ação de Deus nos acontecimentos, na História, na caminhada dos homens. E daí, que os acontecimentos, as exigências e as aspirações do mundo se tornam verdadeiros sinais, pelos quais é possível discernir o que o Senhor Deus está querendo, pedindo, cobrando de nós. "É o Espírito de Cristo que atua na Igreja e na história: é preciso permanecer à escuta dele para reconhecer os sinais dos novos tempos e fazer com que a expectativa do regresso do Senhor glorioso se torne cada vez mais ardente no coração dos fiéis." (Bula Incarnationis Mysterium 3 § 3)

     Foi na lnterpretação destes sinais que descobrimos, aliás, com bastante clareza, que o Senhor Deus nos está convidando a darmos um passo importante para a frente, na caminhada da nossa Igreja Particular. O Sínodo Diocesano quer ser a resposta a este apelo do Pai, pelo Espírito do seu Filho. "Quem tem ouvidos escute o que diz o Espírito." Não queremos ficar surdos. A nossa Igreja aplica atentamente seus ouvidos e seu coração à voz do Espírito. O Sínodo Diocesano quer ser escuta fiel e docilidade ativa, total, entusiástica ao Senhor da história.

     Não é difícil perceber os sinais nos quais detectamos hoje, à luz da fé, o chamado do Pai, feito pelo Espírito do Senhor, à nossa Igreja Particular de Mogi das Cruzes: 1º) o novo milênio; 2º) os 500 anos de evangelização do Brasil; 3º) o novo projeto de evangelização da Igreja no Brasil: "Ser Igreja no novo milênio" (2001-2003); 4º) os 40 anos da criação da Diocese (2002); 5º) os 10 anos do primeiro plano trienal de pastoral da diocese (2002); 6º) os 10 anos de ministério episcopal do Bispo diocesano (2000); 7º) os seus 50 anos de sacerdócio (2002).

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